Vou contar até dez: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez.
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003
"Quem sofre gravemente olha, da sua condição, com uma assustadora frieza para as coisas lá fora: todas aquelas feitiçarias mentirosas, nas quais de hábito bóiam as coisas quando o olho do sadio volta-se para elas, desapareceram para ele: ele próprio está diante de si sem plumagem e sem colorido. (...) Olhamos outra vez para homens e natureza - com um olho mais desejoso: lembramo-nos, sorrindo com melancolia, que sabemos agora, em referência a eles, algo novo e diferente de antes, que um véu caiu - mas nos reanima tanto ver outra vez as luzes esmaecidas da vida e sair da terrível claridade sóbria em que, quando sofredores, víamos as coisas e através das coisas. Não nos zangamos quando as feitiçarias da saúde recomeçam seu jogo, ficamos olhando como transmudados, brandos e ainda cansados. Nesse estado não se pode ouvir música sem chorar." (NIETZSCHE, Friedrich. Aurora. 1880.)
" . . . sentimentos não são nada de último, originário, por trás dos sentimentos há juízos e estimativas de valor, que nos foram legados na forma de sentimentos (propensões, aversões). A inspiração que provém do sentimento é o neto de um juízo - e muitas vezes de um juízo falso! - e, em todo caso, não do teu próprio juízo! Confiar em seu sentimento - isto significa obedecer mais ao seu avô e à sua avó e aos avós deles do que aos deuses que estão em nós: nossa razão e nossa experiência." (NIETZSCHE, Friedrich. Aurora. 1880.)
"Hábito das oposições. - A observação inexata comum vê na natureza, por toda parte, oposições onde não há oposições, mas apenas diferenças de grau. Esse mau hábito nos induz também a querer entender e decompor a natureza interior, o mundo ético-espiritual, segundo tais oposições. É indizível o quanto de dor, pretensão, dureza, estranhamento, frieza, penetrou assim no sentimento humano, por se pensar ver oposições em lugar das transições." (NIETZSCHE, Friedrich. Humano, demasiado humano. 1880.)
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2003
Carlo, Frank e Biba tocaram uma do Pet Sounds (I´m Waiting For The Day), outras três dos Beach Boys (Surfin´ USA, California Girls e Don´t Worry Baby) e uma do Revolver (And Your Bird Can Sing). Essas e Colégio Interno valeram a noite. Mas ainda teve outras antigas e ótimas inéditas da Graforréia Xilarmônica, outras dos Beatles, Lugar Do Caralho...
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003
Putz. Injustiças. Reações inversamente proporcionais à Nay. Lembra um pouco o pequeno Marcus. E a minha história de colégio, apesar de eu não ter tido o bom gosto que ela tem com 15 anos, quando eu estava no terceiro ano.
Hoje quase chorei na classe, e pensar que eu nunca me importei com as opiniões dos outros. Mas, desta vez machucou. Primeiro foi: "Tu tá doente? Tá tão pálida", "Tu não consegue ser menos nerd?" Eu não tomo sol, não me dou bem com ele, não é só porque eles são os superqueimadossuadossurfistascalhordas que eu vou passar a me fritar no sol.
Eu gosto de ter aula, me sinto bem aprendendo alguma coisa. Eu amo ler e amo fazer isso em qualquer lugar. Definitivamente eu acho que SÓ eu estou no terceiro ano, eles estão na primeira série. Colégio me deprime muito. Me deprime como as pessoas tem uma grande falta de interesse em aprender e adquirir alguma cultura. Sério, eu quase chorei quando eu vi as menininhas da classe zuando o professora. Bem a professora de matemática que eu amo tanto...
Quando eu cheguei em casa eu chorei muito, muito mesmo, é horrível pensar que tantas pessoas desperdiçam dinheiro dessa maneira. Tantas queriam estar no lugar delas e elas lá. Mas, a vida é delas...
Eu só peço que me deixem em paz e não me zoem porque eu leio Bukowski no intervalo.
A história do bronzeado é a mais grave, porque extrapola o retardamento mental dos colegas dela e alcança o retardamento mental de toda a população. Pessoa bronzeada parece que foi carbonizada. E não teve outra coisa melhor com o que ocupar a mente do que ficar ali se carbonizando em nome do absurdo. Quanto ao interesse pelas aulas, cá estou eu, o célebre c.d.f. da turma.
Hoje quase chorei na classe, e pensar que eu nunca me importei com as opiniões dos outros. Mas, desta vez machucou. Primeiro foi: "Tu tá doente? Tá tão pálida", "Tu não consegue ser menos nerd?" Eu não tomo sol, não me dou bem com ele, não é só porque eles são os superqueimadossuadossurfistascalhordas que eu vou passar a me fritar no sol.
Eu gosto de ter aula, me sinto bem aprendendo alguma coisa. Eu amo ler e amo fazer isso em qualquer lugar. Definitivamente eu acho que SÓ eu estou no terceiro ano, eles estão na primeira série. Colégio me deprime muito. Me deprime como as pessoas tem uma grande falta de interesse em aprender e adquirir alguma cultura. Sério, eu quase chorei quando eu vi as menininhas da classe zuando o professora. Bem a professora de matemática que eu amo tanto...
Quando eu cheguei em casa eu chorei muito, muito mesmo, é horrível pensar que tantas pessoas desperdiçam dinheiro dessa maneira. Tantas queriam estar no lugar delas e elas lá. Mas, a vida é delas...
Eu só peço que me deixem em paz e não me zoem porque eu leio Bukowski no intervalo.
A história do bronzeado é a mais grave, porque extrapola o retardamento mental dos colegas dela e alcança o retardamento mental de toda a população. Pessoa bronzeada parece que foi carbonizada. E não teve outra coisa melhor com o que ocupar a mente do que ficar ali se carbonizando em nome do absurdo. Quanto ao interesse pelas aulas, cá estou eu, o célebre c.d.f. da turma.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2003
(Um pouco de narrativa pura e simples.) Ontem no final da tarde liguei para o Vicente a fim de conseguir o telefone do Vinícius. Liguei para o Vinícius. Falei com a Gabi. Como o Vinícius tinha aula, eu e ela marcamos de nos encontrar. O Vinícius sugeriu o último vagão do metrô, mas seria difícil para eles, que estariam numa estação de Canoas, me enxergarem lá dentro com a rapidez necessária para embarcarem sem erro. Marcamos, então, na roleta da Estação Unisinos, em caso de eles chegarem antes, ou na própria Unisinos, seu eu chegasse lá antes.
Eu saí 20 minutos mais cedo do trabalho pois tinha que chegar na agência do Banco do Brasil da universidade até as sete e meia. Entrei no trem quando ele já estava cheio. Entrei no último vagão, que geralmente é o mais vazio. Mesmo assim tive que sentar no chão. Comecei a ler Nietzsche. Parei. "Olha só", eu ouço. Eram a Gabi e o Vinícius, na minha frente. Acabaram pegando o trem na hora exata, o vagão exato, a porta exata. E eu sentei no lugar exato. (Sem combinarmos.) Pensei que o meio do último vagão seria bom para uma coincidência, que de fato aconteceu - e palavras nunca são suficientes para exprimir tamanha maravilha da Sorte.
Depois de eu ir no banco, procuramos a Samantha na sala onde, segundo o catálogo do posto de atendimento, ela estaria. Não a encontramos. Falei com o Zé Hofmeister, sempre querido. Ele elogiou a beleza da Gabriela. Depois levei minha amiga para conhecer a rádio. Na volta, encontramos o Charles. Passamos no DA da Comunicação para deixar o CD da Blanched. O Charles mostrou para a Gabriela, na sala dele, o clipe da Tatu. Ele ficou lá. Mostrei ainda a biblioteca e o laguinho. De quebra, os patos e as corujas. Fomos até o Centro e comemos no McDonald´s, convite/cortesia dela. Passamos no meu apartamento e ela logo pegou o último trem de volta a Canoas.
(And for something not completely different.) Foram vários segundos momentâneos felizes. Foi a primeira vez em que eu e ela nos encontramos individualmente eu e ela: foi um marco na nossa amizade. Fui com a cara dela na aula do Sérgio em Brasília e estamos Assim até hoje, depois de duas separações. Fomos os dois únicos sobreviventes de um yahoogroup, o Lenhador. Para ver como funciona o funil. A conversa flui sempre; nos sentimos bem, à vontade; temos sintonia num nível raro. Se listarmos as cinco melhores coisas da vida, uma relação como esta certamente está entre elas. Espero que um dia voltemos a morar na mesma cidade, para que o agora não seja menor do que a lembrança, que é apenas vácuo.
Eu saí 20 minutos mais cedo do trabalho pois tinha que chegar na agência do Banco do Brasil da universidade até as sete e meia. Entrei no trem quando ele já estava cheio. Entrei no último vagão, que geralmente é o mais vazio. Mesmo assim tive que sentar no chão. Comecei a ler Nietzsche. Parei. "Olha só", eu ouço. Eram a Gabi e o Vinícius, na minha frente. Acabaram pegando o trem na hora exata, o vagão exato, a porta exata. E eu sentei no lugar exato. (Sem combinarmos.) Pensei que o meio do último vagão seria bom para uma coincidência, que de fato aconteceu - e palavras nunca são suficientes para exprimir tamanha maravilha da Sorte.
Depois de eu ir no banco, procuramos a Samantha na sala onde, segundo o catálogo do posto de atendimento, ela estaria. Não a encontramos. Falei com o Zé Hofmeister, sempre querido. Ele elogiou a beleza da Gabriela. Depois levei minha amiga para conhecer a rádio. Na volta, encontramos o Charles. Passamos no DA da Comunicação para deixar o CD da Blanched. O Charles mostrou para a Gabriela, na sala dele, o clipe da Tatu. Ele ficou lá. Mostrei ainda a biblioteca e o laguinho. De quebra, os patos e as corujas. Fomos até o Centro e comemos no McDonald´s, convite/cortesia dela. Passamos no meu apartamento e ela logo pegou o último trem de volta a Canoas.
(And for something not completely different.) Foram vários segundos momentâneos felizes. Foi a primeira vez em que eu e ela nos encontramos individualmente eu e ela: foi um marco na nossa amizade. Fui com a cara dela na aula do Sérgio em Brasília e estamos Assim até hoje, depois de duas separações. Fomos os dois únicos sobreviventes de um yahoogroup, o Lenhador. Para ver como funciona o funil. A conversa flui sempre; nos sentimos bem, à vontade; temos sintonia num nível raro. Se listarmos as cinco melhores coisas da vida, uma relação como esta certamente está entre elas. Espero que um dia voltemos a morar na mesma cidade, para que o agora não seja menor do que a lembrança, que é apenas vácuo.
Yury Hermuche:
O Frank Poole está se preparando para promover seu novo lançamento, "Desaparecer", que ficará pronto em março de 2003. Em parceria com a Monstro discos, de Goiânia, o VINIL (de 12 polegadas) trará seis das primeiras músicas da banda, incluindo "galla" e "chuva", em gravações originais.
No site da banda, além dos vídeos de "Canção para Cecília" e "Galla", que foram produzidos por Gustavo Berocan antes do guitarrista partir para a Espanha, você pode ainda ouvir quase toda a discografia e também fazer download dos MP3.
http://www.frankpoole.com
O Frank Poole está se preparando para promover seu novo lançamento, "Desaparecer", que ficará pronto em março de 2003. Em parceria com a Monstro discos, de Goiânia, o VINIL (de 12 polegadas) trará seis das primeiras músicas da banda, incluindo "galla" e "chuva", em gravações originais.
No site da banda, além dos vídeos de "Canção para Cecília" e "Galla", que foram produzidos por Gustavo Berocan antes do guitarrista partir para a Espanha, você pode ainda ouvir quase toda a discografia e também fazer download dos MP3.
http://www.frankpoole.com
domingo, 23 de fevereiro de 2003
É um dos pontos de vista que se pode ter. Há outros. Somos restringidos por nós mesmos. A começar pela vontade de obter a perfeição, que não é natural e não existe a não ser como uma idéia em nossa razão ou na forma da harmonia da natureza, da perfeição das belezas imperfeitas. O egoísmo é inseparável e inegável no ser humano. Faz parte da sua natureza, e o máximo que a gente pode fazer é bombardeá-lo, mas nunca destruí-lo. O egoísmo existe porque somos egos, somos indivíduos imiscíveis, a não ser em ilusões. Se o egoísmo é inevitável, o sofrimento é inevitável. A vontade nunca passa. O Bukoskwi não quis desperdiçar energia com ilusão, com a criação de um sentido para a vida. Na verdade o sentido dele era escrever, mas ele tinha consciência de que no fundo não há sentido para a vida, senão o nada, o não preocupar-se com sentido, o viver apenas, o aprendizado da insatisfação. Ele sabia que o topo da montanha era maior, mas sabia também que a queda era fácil e muito mais dolorosa que o rastejo. O amor pode ser o Sentido, mas ele é ambivalente. Ele constrói maravilhosamente e destrói absurdamente. O amor é uma das coisas (das ilusões) que vale a pena toda. O ser humano é um ser social com objetivos egoístas. E isso não é necessariamente ruim. Fala-se em egoísmo e pessimismo e as pessoas já se descabelam. Apenas é. É assim, e não é tão ruim. A gente sabe lidar e sobreviver e criar ilusões mesmo tendo consciência do egoísmo e do pessimismo. A filosofia é uma ferramenta para o auto-conhecimento e para o conhecimento do Mundo. É, sim, ao mesmo tempo, uma ferramenta do egoísmo, assim como TUDO.
sábado, 22 de fevereiro de 2003
Empatia mútua: "Conheci o Douglas, da Blanched, rapaz muito bacana e como dissemos: raro, raro não! Rarissímo. Ele é uns dos poucos que descobriram que um personagem não funciona, além de não ser eterno. Também, não é qualquer um que leva deliciosas bolachas e ainda compartilha! Além de gostar de bandas muito bacanas, ter uma foto muito estilosa de quando tinha uns 4 anos. E ele concorda comigo: Punk nunca existiu." (Nay) A impressão de que eu tinha que conhecer essa menina era correta. Ela sabe muitas coisas.
"O que vemos na poesia encontramos na música, desde que reconhecemos que nela a melodia narra em geral a história íntima da vontade consciente de si, as veredas ocultas, as aspirações, as tristezas e as alegrias, o fluxo e refluxo do coração humano. A melodia caminha, sempre se apartando do tom profundamente, seguindo mil remotos e caprichosos sentidos, passando pelas dissonâncias mais dolorosas, até que novamente reencontra o tom fundamental, que exprime a satisfação e a calma da vontade, mas com que, seguidamente, já se não sabe o que fazer: manter, então, mais longamente, a nota fundamental, produziria pesada e ociosa monotonia, a qual corresponderia ao tédio." (Schopenhauer)
"(...) As pessoas entram na nossa vida e jamais saem. Não há esta possibilidade. Quanto mais rápido pudermos entender que a ex-esposa é eterna, melhor. O caminho é imaginar urgentemente um mundo onde ela possa sentir-se feliz e nós também, cada um seguindo sua vida, ajudando-se mutuamente como for possível (...)" (Alfredo Aveline / lama Padma Samten)
Uma jaqueta escrito punk is dead.
- Punk nunca exisitiu.
- Nada nunca existiu.
- Que profundo isso...
- Na verdade é simples. Cada um é aquilo que deseja ser.
- Assume o personagem.
- É. E as pessoas mais legais são as que conseguem ver de fora e se dão conta disso e são o mais natural possível.
- As mais legais!
- E as mais raras.
- Raríssimas!
Pelo jeito, encontrei uma.
- Punk nunca exisitiu.
- Nada nunca existiu.
- Que profundo isso...
- Na verdade é simples. Cada um é aquilo que deseja ser.
- Assume o personagem.
- É. E as pessoas mais legais são as que conseguem ver de fora e se dão conta disso e são o mais natural possível.
- As mais legais!
- E as mais raras.
- Raríssimas!
Pelo jeito, encontrei uma.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Aqui está. (Para conseguir ler, depois de entrar na página indicada, clique com o botão direito do mouse e escolha Salvar destino como.)
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2003
Ambivalência a todo vapor. Até agora tenho 57 poemas escritos e pré-selecionados. Outros projetos para "este ano": Intensificar a Blanched. Tocar a Wafers. Rezar para O RESTAURANTE DO FIM DO UNIVERSO materializar um baterista. Começar a parceria musical com o Muriel e a Carol Beal (com os dois juntos ou com cada um) e começar o meu projeto principal (que pode coincidir com outro desta frase). Insistir com o Leonardo para repetirmos a jam que originou Blanc Sees The Sea (comigo baterista...). Aprender a mexer melhor nos programas de gravação.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2003
Amigos-mesmo prenunciam: "espero que estejas melhor, velho, que o sol que nasceu hoje esteja iluminando e aquecendo os horizontes da tua alma... nada é tão bom na vida que não possa ser perdido por algo melhor... é a hora de parar de esperar, é a hora de tomar atitudes, de enfrentar a vida, de agir, de fazer de todas as belas teorias que tens em práticas pra tua vida, é hora de mudar de vida, de olhar, de perspectiva, e assim também aprender a ver o passado de forma diferente, nova e positiva... vai que tudo há de dar certo..." (Muriel Paraboni. Segunda-feira. Antes de ele saber que eu havia acordado com nova esperança.)
Escrevi isto esses dias: "Minha vida está desrelugada. Se antes o tempo me era um problema, agora é MAIS. Tenho várias vontades, vários compromissos, vários convites, e tenho que ordená-los de acordo com o tempo nefasto de trabalho forçado e o tempo necessário do conforto do descanso, além do tempo dedicado ao NADA. Digo isso para dizer que sinto muito não poder participar de todos os encontros. Já fico com medo de me tornar um tratante, porque eu simplesmente não vou poder encontrar todo mundo que eu gostaria de encontrar, mesmo tendo prometido para essas pessoas."
domingo, 16 de fevereiro de 2003
sábado, 15 de fevereiro de 2003
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003
"Antes de mais nada é preciso que nos convençamos de que a forma de fenômeno da vontade, ou por outras palavras, a forma da vida ou da realidade, é o presente, e não o futuro, nem o passado; estes não existem senão na abstração por meio da concatenação do conhecimento submisso ao princípio de razão. Ninguém viveu no passado e ninguém viverá no futuro; o presente, somente ele, é a forma exclusiva da vida, propriedade certa, que nada poderá jamais subtrair-lhe.
O nosso próprio passado, ainda o mais próximo, o dia apenas transcorrido, não é mais que um sonho vácuo da Imaginação, e nada mais que isto é o passado de todos esses milhões de seres. Que é aquilo que foi? - Que é aquilo que é?
O presente, só ele, é o que é sempre e que permanece imóvel.
Pode-se comparar o tempo a uma circunferência que gira continuamente; a metade que sempre desce seria o passado, e a que sempre sobe, o futuro; ao alto, o ponto indivisível que encontra a tangente seria o presente que não tem dimensões; como a tangente não é arrastada pelo giro, assim permanece imóvel o presente . . .
Não devemos . . . investigar do passado, antes da vida, nem do futuro, depois da morte: devemos reconhecer que o presente é a única forma sob a qual a vontade se aparece a si mesma . . . "
(SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação.)
O nosso próprio passado, ainda o mais próximo, o dia apenas transcorrido, não é mais que um sonho vácuo da Imaginação, e nada mais que isto é o passado de todos esses milhões de seres. Que é aquilo que foi? - Que é aquilo que é?
O presente, só ele, é o que é sempre e que permanece imóvel.
Pode-se comparar o tempo a uma circunferência que gira continuamente; a metade que sempre desce seria o passado, e a que sempre sobe, o futuro; ao alto, o ponto indivisível que encontra a tangente seria o presente que não tem dimensões; como a tangente não é arrastada pelo giro, assim permanece imóvel o presente . . .
Não devemos . . . investigar do passado, antes da vida, nem do futuro, depois da morte: devemos reconhecer que o presente é a única forma sob a qual a vontade se aparece a si mesma . . . "
(SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação.)
- Por que você não consegue ficar sozinho, sem a Yoko?
- Eu consigo, mas não quero. Não existe nenhum motivo nesse mundo para eu não estar com ela. Nada é mais importante do que a nossa relação, nada. E nós curtimos ficar juntos o tempo todo. A gente sobrevive longe um do outro, mas para quê? Não vou sacrificar o amor - o amor de verdade - por nenhuma puta, nenhum amigo, nem trabalho, porque no fim a gente acaba é dormindo sozinho. Nenhum de nós quer isso, e não dá para encher a cama de fãs, não funciona. Não quero ser galinha. É como eu disse na música: já fiz de tudo e não existe nada melhor do que ser abraçado pela pessoa que a gente ama.
- Eu consigo, mas não quero. Não existe nenhum motivo nesse mundo para eu não estar com ela. Nada é mais importante do que a nossa relação, nada. E nós curtimos ficar juntos o tempo todo. A gente sobrevive longe um do outro, mas para quê? Não vou sacrificar o amor - o amor de verdade - por nenhuma puta, nenhum amigo, nem trabalho, porque no fim a gente acaba é dormindo sozinho. Nenhum de nós quer isso, e não dá para encher a cama de fãs, não funciona. Não quero ser galinha. É como eu disse na música: já fiz de tudo e não existe nada melhor do que ser abraçado pela pessoa que a gente ama.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Realmente o uso da internet no trabalho é o cristo. Não param de me vigiar. Já houve três alertas verbais. (Se duvidar, sou o personagem de um reality show: todos os funcionários da informática ligados no meu monitor, acompanhando-me passo a passo, ansiosos, emocionando-se.) Para eles, é melhor eu ficar babando do que digitando, quando não há trabalho a fazer. Adeus, atividade freqüente. Tchau. Vou ter que arrumar um jeito de conectar em casa sem gastar muito. E tornar o tempo de trabalho ainda mais morto: uma vida desperdiçada.
A Jamile escreveu no blog dela que o Cardoso escreveu isso no blog dele:
POUCA VERBALIZAÇÃO
Geralmente corresponde a um período de intensa observação. Mas não sempre: pode ser apenas a constatação de que espernear no vácuo não vai te levar a lugar nenhum - e, de fato, não leva.
Umas duas ou três vezes recentemente eu fiquei cansado de escrever e falar - ou seja, de pensar, de usar a razão. Não é difícil de imaginar que se trata de um cansaço desesperador. As únicas duas soluções para um caso assim são: dormir ou usar uma droga como cogumelo ou LSD (solução descartada: itens impossíveis de serem encontrados).
Jamile: precisava de algo q me entorpecesse, me tirasse do ar, me deixasse meio inconsciente até essa nhaca toda passar, pra eu não sentir mais dor, nem a aflição da espera. queria tipo uma abstração de mim mesma...
POUCA VERBALIZAÇÃO
Geralmente corresponde a um período de intensa observação. Mas não sempre: pode ser apenas a constatação de que espernear no vácuo não vai te levar a lugar nenhum - e, de fato, não leva.
Umas duas ou três vezes recentemente eu fiquei cansado de escrever e falar - ou seja, de pensar, de usar a razão. Não é difícil de imaginar que se trata de um cansaço desesperador. As únicas duas soluções para um caso assim são: dormir ou usar uma droga como cogumelo ou LSD (solução descartada: itens impossíveis de serem encontrados).
Jamile: precisava de algo q me entorpecesse, me tirasse do ar, me deixasse meio inconsciente até essa nhaca toda passar, pra eu não sentir mais dor, nem a aflição da espera. queria tipo uma abstração de mim mesma...
"Acredito que o homem percebe a priori o fenômeno, mas dificilmente consegue expressá-lo sem categorizar, pois o fenômeno é muito individual, intimista. Em uma narrativa, você pode descrever fatos, eventos, formas e pensamentos, mas é impossível passar o sentimento sem que se apele para as formas da arte. Dizer em uma narrativa como você se sentiu não faz o outro sentir o mesmo. Acho que nesse sentido uma das coisas que deve fazer o artista sofrer é a solidão, pois aquilo no que ele é mais rico em fenômeno, ou seja, o sentimento, ele quase não consegue dividir. Pior é quando há a expectativa de que alguém perceba, mas esse alguém não percebe." (Suzin)
terça-feira, 11 de fevereiro de 2003
God Only Knows
(Brian Wilson, Tony Asher)
Beach Boys
I may not always love you
But long as there are stars above you
You never need to doubt it
I'll make you so sure about it
God only knows what I'd be without you
If you should ever leave me
Life would still go on, believe me
The world could show nothing to me
So what good would living do me?
And God only knows what I'd be without you
(Brian Wilson, Tony Asher)
Beach Boys
I may not always love you
But long as there are stars above you
You never need to doubt it
I'll make you so sure about it
God only knows what I'd be without you
If you should ever leave me
Life would still go on, believe me
The world could show nothing to me
So what good would living do me?
And God only knows what I'd be without you
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003
Bá!...:
GUIA DA TV
Blogs de leitura diária que valem a pena (considerando-se relevância do conteúdo e freqüência com que é postado):
1) Douglas Dickel: o Dôblas é um sujeito inteligente e excelente guitarrista. Tem meu apreço por isso, apesar de gostar de Sonic Youth. Mas não é só isso: o blog dele é o que faz-me voltar mais vezes pra ler e postar comentários. Isso é bom sinal: posts de boa qualidade, que costumam gerar discussões idem. Recentemente o rapaz passou por uma fase difícil, mas mesmo assim conseguiu manter a dignidade não transformando seu blog num diarinho grudento, o que é louvável.
(...)
(BG)
GUIA DA TV
Blogs de leitura diária que valem a pena (considerando-se relevância do conteúdo e freqüência com que é postado):
1) Douglas Dickel: o Dôblas é um sujeito inteligente e excelente guitarrista. Tem meu apreço por isso, apesar de gostar de Sonic Youth. Mas não é só isso: o blog dele é o que faz-me voltar mais vezes pra ler e postar comentários. Isso é bom sinal: posts de boa qualidade, que costumam gerar discussões idem. Recentemente o rapaz passou por uma fase difícil, mas mesmo assim conseguiu manter a dignidade não transformando seu blog num diarinho grudento, o que é louvável.
(...)
(BG)
"Dá alívio ver que, mesmo com as pessoas de fora tendo as visões erradas e quase influenciando, eu e o Douglas, e principalmente ele soube agir da melhor forma possível e se recuperar absurdamente rápido. De novo, como quando as coisas estavam causando dor no nível máximo, ninguém entende nada. Mas agora isso não importa, contanto que o Douglas continue como ele tá. Me dá orgulho ver ele assim. Douglas, você sabe o quanto eu tou feliz de te ver assim, e torcendo e tentando ajudar pra que as coisas melhorem ainda, pra qualquer sobra dessa dor passar. Estou muito feliz, também, por ver que eu não perdi o Douglas, a gente só tá diferente. Amigo ele continua como sempre. Conseguimos não perder a naturalidade, nem esquecer o tanto que a gente se entende."
Estou feliz por estar me dando bem com a Madi. O amor acaba, mas a amizade nunca. Isso está me ajudando bastante nos últimos dias.
Estou feliz por estar me dando bem com a Madi. O amor acaba, mas a amizade nunca. Isso está me ajudando bastante nos últimos dias.
Eu queria colo. Um colo específico. Queria simplesmente deitar a cabeça nas pernas e ficar olhando para o teto, ou para o céu. Ou fechar os olhos. Talvez mãos específicas fechando meus olhos, e eu sentindo as almas conversarem em silêncio. Queria sentir um conforto, eu preciso de mais cura, de uma carga de energia. Depois de quebrar os dentes, a alma fica toda dolorida. A gente fica muito sensível, suscetível a medos. Eu vi o anjo de perto, e ele, além de grande, é lindo (em tudo). É incrível como funciona isso: a gente olha para alguém e não sabe o que fazer: dá vontade de explodir, sei lá. A beleza é tão bonita... O modo como ela dança faz a alma extrapolar os limites do corpo e se transformar em música. Os olhos, os olhos, os olhos, os olhos, os olhos. A alma.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2003
Está tão por volta dos 40ºC aqui que eu não agüentei mais o bigode e paguei para arrancarem minha charba, hoje depois do almoço. Eu tenho que parar de roer unhas tanto, tenho que voltar à freqüência anterior. Agora há pouco eu recebi a boa visita do Guilherme Klamt e do Rafael Martinelli (Deus E O Diabo). O Ludwig vai discotecar, e eu vou ajudar. O show é quinta-feira. Vi umas fotos de um anjo-asteróide. Ele é enorme! O roteiro está com 64.000 caracteres. Parece que me deram um ecstasy: já tomei cerca de 56 xicrinhas de água gelada.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003
"Enquanto lábios se beijam
Corações estão batendo
Olhos estão fechados
Mãos estão dançando.
E não há pensamentos,
apenas luzes e líquidos."
Thompson (eu acho)
John Voyers está de volta, finalmente. Pena que duas das pessoas mais sensíveis que eu conheço moram muito longe. Que merda.
Corações estão batendo
Olhos estão fechados
Mãos estão dançando.
E não há pensamentos,
apenas luzes e líquidos."
Thompson (eu acho)
John Voyers está de volta, finalmente. Pena que duas das pessoas mais sensíveis que eu conheço moram muito longe. Que merda.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2003
Sim. TODAS as escolhas têm um lado ruim do mesmo tamanho de um lado bom, e vice-versa. Nunca sabemos quando vai doer ou quando vai curar a dor, tudo é um infinito shuffle de CD-player. De certa forma isso facilita (o inevitável): já que vamos nos surpreender e nos decepcionar com cada escolha, então o que é é. (A combinação de escolhas que você faz vai formando o desenho da sua vida.) O segredo está na valorização de cada lado, no resumo cuidadoso que só você faz de cada um deles.
Nossas referências de amor? Pra saber se são as mesmas, ou semelhantes, teríamos que comparar um sem número de parênteses, e talvez não chegaríamos a alguma conclusão, mesmo porque parênteses não são conclusivos. Talvez nada seja conclusivo, que a conclusão seja uma ilusão de certeza. Mas assim é a vida da nossa espécie e muitos indivíduos conseguem passar por essa inconclusão, partilhar parênteses e criar novos deles a partir dessa partilha, parênteses o mais semelhantes possíveis, que podem ser entendidos pelos seus (duas vezes saiu "deus" em vez de "seus"; daria pra usar: "que podem ser entendidos pelos deuses") dois criadores também não-verbalmente. Mas eles SABEM, eles sentem.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2003
Não é fácil ter responsabilidades numa fase de reconstrução como esta, quando a gente tenta gastar todo o tempo com o máximo de cessações momentâneas da dor. (Schopenhauer é quem diz que não existe prazer, apenas cessação momentânea da dor.) Piores coisas: trabalhar, chegar no trabalho no horário, ficar sem dormir para aproveitar a noite e ter que trabalhar de manhã cedo, preocupar-se com as papeladas de contas a pagar no meio da bagunça infinita do apartamento pós-divisão, concentrar-se na organização dos novos projetos artísticos e dedicar tempo para a realização deles, alimentar-se direito.
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